Anderson Augusto a.k.a. SAO: colorindo a realidade desbotada
Texto: Victor Resende e William Alencar - Fotos: Hudson Rodrigues
Anderson Augusto é conhecido artisticamente como SAO. Quem transita pela Barra Funda, zona oeste de São Paulo, provavelmente já se deparou com seus grafittis. Mesmo aqueles que nunca pisaram na cidade podem ter visto algo do 6emeia, projeto de arte em bueiros produzido por ele e o amigo Leonardo Delafuente que andou chamando a atenção da mídia, até no blog do Kanye West foi parar.
Numa noite de terça, circulamos com SAO pela cabulosa região da Cracolândia, instigante para ele. “Em meus trabalhos uso muita cor dentro da temática triste. Quero mostrar que mesmo na tristeza pode haver alegria”. A relação com moradores e frequentadores da região se deu através de um trabalho voluntário. SAO não ensina a desenhar, dá aula de goleiro para crianças numa ONG que divide rua com puteiros, igrejas, bares e a Pinacoteca do Estado.
Algumas de suas obras estão na fachadas de imóveis em ruínas. “O que me atrai aqui não é o ambiente, são as pessoas. Elas conseguem se alegrar em condições adversas. Me relacionar com o outro é o que me motiva”.
Seria um tipo de missão de vida? “Creio que sim. Todo mundo tem alguma. Eu me interesso pelo humano, pelo lance da esperança. Tento mudar a realidade com minha vida e pintura”.
A visão idealista não vem de hoje. “Me lembro quando meu irmão me apresentou o Zelão, no início dos anos 90. Ele disse ‘Ó, ele faz grafite!’. Só essa frase mudou o que quis pra minha vida. Foi como uma semente plantada”. E regada há 16 anos em muros, calçadas e demais suportes oferecidos pela cidade.



