Um boicote ao padrão
Texto: Victor Resende - Fotos: Hudson Rodrigues
Still Strong, uma das poucas bandas do hardcore nacional totalmente voltadas ao vegan/straight edge, iniciou sua trajetória em abril de 2007 e desde então dissemina a ideia de uma vida livre das drogas, libertação animal e do cotidiano terceiro-mundista através de suas letras. Foi sobre esses assuntos que conversamos com Paulo, baterista da banda.
Paulo diz que encontrou no straight edge - também grafado sXe - uma maneira de fugir da alienação. “O motivo de ser straight edge vai além de ser ‘legal’, é uma forma de protesto, de boicote à sociedade em que vivo e ao mercado que visa o dinheiro a qualquer custo”. A postura vegan, segundo ele, é algo que acompanha naturalmente a filosofia sXe, porém a recíproca não é verdadeira. “O straight edge tem muito a ver com o veganismo e os dois caminham lado a lado na minha vida, mas o veganismo não tem nada a ver com o straight edge”.
Alguns tipos de ativismo, sobretudo o ciberativismo, não são vistos com bons olhos por Paulo. “Sempre tem gente que quer comer o cérebro do outro e dizer o que é certo ou não. Tem gente que diz que eu devo fazer mil coisas em prol da causa, mas não fazem um terço do que estão falando. Hipócritas!”. E conclui: “Quando uma pessoa quer ser melhor que a outra ela se auto-exclui. Já vi isso acontecer muitas vezes”.
Segundo ele, a mensagem sXe deve ser libertária e não conservadora, apesar de ser comumente associada a religiões. “O straight edge em alguns momentos teve ligações com o cristianismo, budismo e nos anos 90 com o hare krishna, predominantemente”. Mas faz questão de deixar sua posição: “Religião e hardcore não devem se misturar”.



