Muro de domingo com João Lelo

Fotos: Diego Lobato

“DESMANDO TOTAL! NATUREZA DESTRUÍDA”, reclama a faixa na varanda de um apartamento que dá de frente ao futuro empreendimento no bairro Botafogo, RJ. Um taxista, parado próximo, também se queixa: “Aqui era um bosque. Esse condomínio vai tirar toda a visão”, desaprova, sem tirar os olhos da TV portátil que exibe a final do Campeonato Brasileiro, Fluminense e Guarani.

Foi durante a partida e num muro ao lado da ingrata edificação que o artista visual João Lelo desenhou um graffiti e trocou ideia com o blog.


“Minhas primeiras experiências foram com pessoas que pintam letra, fazem bomb”, recorda o artista autodidata, que começou em 1999 e foi lapidando seus trabalhos até conhecer a obra do nova-iorquino Futura 2000. “Vendo o estilo de seus personagens e as formas abstratas que ele usava na rua, entendi que o graffiti pode ser algo diferente de tudo o que eu já tinha visto”.


Não levou muito tempo para que as criações de João Lelo migrassem dos muros para galerias de arte e produtos comerciais  que vão de pôsteres a band-aids. “Sem muita pretensão, vi que era possível fazer dinheiro com meu trabalho autoral. Se você faz um trabalho verdadeiro, que agrada as pessoas, acho mais do que justo receber por isso”.


Mesmo organizando sua arte de forma comercial, Lelo compartilha de técnicas e saberes. “Coordenei este ano uma série de workshops gratuitos no Rio e em São Paulo, onde um artista convidado dividia experiência com crianças”. Para breve, engatilha projetos em parceria a galeria paulistana Choque Cultural.


Lelo vê em seu trabalho uma oportunidade de trocar informações seja com o espectador, que observa sua obra ao passar com ela, quanto com o próprio ambiente em que ela foi exposta. “Arte urbana, pra mim, sempre foi uma busca por me comunicar com o espaço público. O trabalho não pode estar na rua de maneira aleatória, tem que fazer parte do resultado final”.


Conheça outras obras de Lelo em seu site: http://www.leloart.com/

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